Os diferentes sons, vogais e consoantes falados em nosso dia a dia, são produzidos nas cavidades acima da laringe por mudanças nos articuladores, ou seja, nas estruturas que estão nas cavidades de ressonância. Os sons são articulados principalmente na boca, através de movimentos da língua, dos lábios, da mandíbula, dos dentes e do palato (cavidade paranasal).
Para a voz cantada, utilizamos as mesmas estruturas que produzem a voz falada, porém com diferentes ajustes devido às necessidades do canto.
Vamos utilizar alguns parâmetros para analisarmos as diferenças da voz cantada e falada: a postura, a respiração, a fonação, a ressonância e a projeção da voz, o timbre vocal, a articulação dos sons da fala e pausas, a velocidade e o ritmo.
3. A Voz Impostada
Em geral, utilizamos a voz incorretamente não conseguindo, assim, explorar toda sua beleza e qualidades. É necessário muito cuidado ao desenvolver um trabalho vocal, impostar uma voz é antes de tudo uma atividade pessoal, lidando diretamente com o íntimo da pessoa, seu intelecto e psíquico. Você que está se propondo ao estudo vocal, seja para a fala ou para o canto, deve ter algo em mente, uma meta a ser alcançada, quer melhorar sua pessoa ou sua imagem e estar devidamente preparado para exercer uma atividade vocal como cantor, apresentador, orador, professor e muitas outras carreiras que se utilizam da voz como uma ferramenta indispensável de trabalho.
A voz é a representação sonora de nossos sentimentos, da nossa personalidade, que registra a todo momento o impacto de todas as nossas emoções. É um instrumento vivo, fazendo parte de cada um de nós, de nossa maneira de ser, de sentir, de expor as nossas idéias e sentimentos. Impostar a voz, portanto, é muito mais do que apenas exercitar músculos. É, na verdade, melhorar como pessoa, buscar a achar o equilíbrio individual, não nos esquecendo de nosso objetivo. A arte de cantar é o resultado de tudo isso aliado a um trabalho muscular em todos os órgãos que compõem nosso aparelho fonador, fazendo com que esses órgãos sejam controlados e usados corretamente para que forneçam o melhor rendimento possível, sem contrariar a natureza do aparelho fonador, bom como não o levando a fadiga ou traumatismo, buscando os melhores resultados com o mínimo de esforço, tudo em perfeito equilíbrio e técnica.

É de cartilagem, dividido em duas fossas por uma parte conhecida como septo nasal, sua função é inspirar o ar e levá-lo até os pulmões. As duas fossas nasais (narinas) se comunicam com a faringe. A parte interna do nariz é chamada de endonariz sendo toda revestida de mucosa e pêlos, que servem para protegê-la da entrada de corpos estranhos. A mucosa ainda umedece o ar por apresentar uma rica vascularização, onde o mesmo é inspirado e aquecido antes de ir até as vias respiratórias inferiores, ou seja, os pulmões. O nariz tem duas funções, respiração e o olfato.
A Laringe situa-se na parte anterior e mediana do pescoço. É um conduto de esqueleto cartilaginoso que pode ser percebido pela saliência que faz na parte cutânea. Compõem a laringe as seguintes cartilagens: tiróide ou tireóide, cricóide, aritenóide e epiglote. A epiglote, uma cartilagem única, é a lingueta que no momento da degustação se abaixa sobre a abertura da laringe, protegendo-a contra a penetração de alimentos, ela está localizada atrás da base da língua e do osso hióide.
A Laringe é a produtora da voz. É nela que nasce a voz quando o ar, vindo dos pulmões, coloca em tensão as pregas vocais inferiores, estas vibram em movimentos laterais, alargando e estreitando de forma contínua e rápida a fenda glótica. Essa vibração das pregas vocais é transmitida ao ar que se encontra nas cavidades acessórias: ventrículo de Morgagni, faringe, boca e nariz. As pregas vocais possuem uma grande mobilidade, quando estão espessadas, produzem sons graves, quando tensas, produzem sons agudos.
A Laringe é o berço da voz. Quando emitimos um som bem alto e agudo, a laringe é deslocada para cima pelos músculos externos da mesma, com finalidade de esticar as pregas vocais. Quando emitimos um som bem grave, baixo, ela é deslocada para baixo, com o afrouxamento das pregas vocais. Nos sons agudos aproximam-se as bordas finas das pregas vocais e nos sons graves elas se contraem de forma diferente, são as bordas espessas, com maior massa, que se aproximam.
Os brônquios são dois tubos constituídos pela separação da traquéia dirigindo-se cada um para um pulmão e nele situado. Dentro dos pulmões, os brônquios se ramificam em outros cada vez menores, os bronquíolos, ramos bem finos que se abrem nos ductos alveolares originando os alvéolos. Observe um esquema de traquéia, brônquios, bronquíolos e alvéolos.
Temos dois pulmões, um à direita e outro à esquerda do coração. Eles são essenciais à respiração externa e é através das paredes dos pulmões que se efetuam as trocas gasosas entre o ar que foi inspirado e o sangue. Cada um deles tem uma base mais ou menos côncava, um ápice e três faces: costal, medial e diafragmática. O ápice é voltado para cima e é vizinho da primeira costela. Uma face se acha em relação às costelas, a outra em relação ao mediastino e a outra ao diafragma.
O pulmão direito dividi-se em três lobos: superior, médio e inferior. O pulmão esquerdo em dois: superior e inferior. Os pulmões, para se comportarem num espaço pequeno e estreito, dobram-se e enrugam-se ao máximo.
Na inspiração, ele abaixa-se pelo aumento da caixa torácica, contraindo-se e, ao mesmo tempo, comprimindo as vísceras do abdome.
Na expiração, ele fica relaxado e a pressão dos músculos abdominais faz com que as vísceras do abdome o levem a sua posição. O diafragma é o principal músculo inspirador dentre os outros como os músculos peitoral maior, menor, serrátil, anterior, etc.
influem na expiração quando se trata da respiração vital, diária. No entanto,
eles adquirem importância no canto.
Quando respiramos, processamos três fenômenos simultaneamente, são eles: Os fenômenos mecânicos, que consistem na entrada do ar nos pulmões e consequente saída deles, os fenômenos físicos, que se dão através do aquecimento e evaporação e os fenômenos químicos, através de trocas gasosas.
Na inspiração, o ar vindo de cima para baixo percorre as vias respiratórias chegando aos alvéolos pulmonares. Os gases desses alvéolos percorrem um caminho contrário, sendo expirados.
A respiração vital, como já mencionado, independe de nossa vontade e é feita automaticamente. Quando inspiramos, colocamos o ar para dentro e o diafragma é abaixado, sua cúpula desce ficando quase plano e os pulmões também se dilatam enchendo de ar. Na expiração, isto é, expulsão do ar, os pulmões diminuem de tamanho e a caixa torácica também, o diafragma volta à sua posição. É o processo inverso à inspiração. Aprender a respirar corretamente não é apenas recomendado a você, que quer se tornar um cantor, e sim a todos nós, é de suma importância à vida.
No canto, a respiração tem de ser controlada de acordo com a vontade de quem emite a voz. A expiração se torna muito mais longa na voz cantada do que na voz falada e a inspiração é um pouco mais curta. Tudo dependerá exclusivamente do fraseado musical (frase musical) que estará sendo executado. Uma voz jamais apresentará todas as suas qualidades de formas artísticas se a respiração não for adequada e muito bem executada.
O som emitido de maneira correta faz com que não haja desperdício de ar, portanto, não adianta nada ter pulmões grandes ou caixa torácica avantajada. É preciso saber usar o ar que foi inspirado. No canto, em alguns momentos da prática musical, exige-se uma quantidade de ar muito grande em pequenos espaços de tempo entre as frases musicais, quando isso ocorre utilizamos a chamada respiração mista (nariz e boca). Aconselho a utilização desse procedimento em locais não muito frios, poluídos com fumaça de cigarro ou poeira. A inspiração deve ser normal, sem exageros e tranquila, sem pressa. Com a respiração feita corretamente, uma pessoa na voz média, consegue manter um som por mais de dez segundos podendo atingir até 20 segundos com um pouco de treino. Isso, só com a economia do ar, ou seja, utilizando a capacidade pulmonar.
- Abdominal. (É a predominante e essencial para o canto)
- Costal Inferior – na qual predomina a mobilização das costelas inferiores. (Também é usada no canto mas com menos frequência)
- Costal Superior ou Clavicular – com elevação do tórax. (Muito pouco usada no canto e até recomendado o não uso)
- Respire vinte vezes pelas duas narinas, normalmente, sem lentidão ou rapidez. Posicione-se sentado numa cadeira, corpo bem ereto, se preferir pode ser em pé, tape uma das narinas e repita a operação. Agora tape a outra narina e também repita a operação.
- Se você conseguir fazer todas as etapas do teste sem sofrer alterações no ritmo ou incômodos, não deverá ter problemas de insuficiência respiratória. Faça o teste também deitado, primeiro de barriga para cima, depois de barriga para baixo. Caso haja alguma dificuldade, procure um especialista, um médico para orientá-lo.
- No Blog, exercitaremos muito seu aparelho respiratório. Não se preocupe por não conseguir fazer o exercício proposto. Somente procure o especialista se as falhas persistirem. Lembre-se, caso seja um fumante, sua respiração já deve estar alterada.
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